sexta-feira, 28 de junho de 2013

Final

        És um enigma atormentador. Sou incapaz de decifrar o que sentes e o que pensas. Naquela noite, quando só já a bebida falava pelos dois, acredito que todas as tuas palavras foram verdadeiras, tal como as minhas. E quando passado seis meses de tal ter cessado, os teus lábios vieram em direcção aos meus sem avisar, senti-me completa de novo. O vazio que deixaste em mim desde a separação preencheu-se de novo.
        E ainda bem que esta carta nunca chegará até ti, pois sou demasiado fraca e insegura para to dizer. Porque não quero arriscar perder-te outra vez. Não aguentaria outra carga de dor como aquela, ultrapassada até ao teu regresso.
        Estou bem sem ti, mas tão melhor contigo. Não mudou nada. Continuas a mesma pessoa, e não há felicidade maior para mim que essa. És ainda o homem por quem me apaixonei inesperadamente e instantaneamente. Foi como se o sentimento ficasse adormecido durante a tua ausência, mas acordou. Já não pareces deixar o meu pensamento, durante dia e noite.
        Tenho sonhado contigo todos os dias. Sonhei que tínhamos uma filha. Claro que não quero que se realize, agora. Mas era linda, era igual a ti. Nem apareceste no sonho, mas só de observá-la a dormir eram notórias as parecenças contigo.
        Sonho também que assumimos o que sentimos perante os nossos amigos, talvez seja o receio de não ser boa o suficiente que me atormenta.
        Como todas as minhas histórias, esta não tem qualquer final ou conclusão. Teremos nós? Espero que não, com toda a vontade dentro de mim.